a dor da separação.

sábado, 1 de agosto de 2009

Estava dormindo, eram por volta de 18 horas, dormia sempre esse horário, pois trabalhava durante a tarde, e esse sono, lhe reconfortava, lhe acalmava.
Telefone toca, uma Tia: "Vem aqui na vovó, estamos te esperando."
Não queria ir, mas já que era o que queriam, resolveu ir e chegar sempre tentando sorrir, por mais que não fosse exatamente o que queria fazer.
No portão da casa da avó, aquela aparência acolhedora de sempre, se fora, uma agitação diferente do normal, pessoas indo e vindo, e todas olhando para ele com um ar de pena, que tornava densa e difícil a respiração. Algo aconteceu. Fato.
Entra, a Tia chega perto: " Senta meu bem, precisamos conversar."
Assustado: " O que está acontecendo? Pode falar, foi a vovó?" Percebe que não, a avó está sentada na cozinha, com cara de poucos amigos, e com a mesma cara de quem segura o choro.

A Tia, com a mesma cara: " Seu Pai, ele passou mal. "
Assustado: " Como assim? Onde está meu Pai? Preciso ver meu Pai. O que está acontecendo? Alguém pode me falar?"

Tia: "Seu pai..."
Petrificado: " Não! Não meu pai. Não consigo nem dizer essa palavra. Não ele. Sempre forte. Confiante e corajoso."

Caminha sem rumo, não sabe para onde está indo, a única coisa que ouve, são palavras dispersas, como vento: " Deixa ele ir". "Ele tem que pensar". "Deixa ele um pouco sozinho". Continua sem caminho, desolado, sem chão, se encosta em um muro de uma casa simples. Se senta. Chora. Sem saber o que está sentindo, simplesmente chora. Tentando conceber a idéia de ter se separado da pessoa inspiradora, do seu porto seguro, um dos pilares de sua vida, parte de sua própria vida e alma. Nem ao menos pôde se despedir. Seria justo?
Horas se passam, família chega. Resolve voltar para perto da casa, onde aos domingos, ia com o Pai visitar a matriarca da família. Familiares o observam, se aproximam, a cada abraço um choro, um grito de desespero, uma busca pelo abraço acolhedor, uma vontade de ouvir alguém dizer que nada disso estava acontecendo.
Mais horas se passam, amigos chegam. A cada abraço, choro, e o mais sincero choro, daqueles que apenas que demonstramos para amigos, lágrimas que mostram que estamos destruídos. Um agradecimento mental por ter amigos como os que tem. Mais choro.
Torpor!
Não sabe mais o que sente, simplesmente sente. Não quer sentir. Não chora mais.
Uma dúvida, até então impensada.
" Onde ele está?"
A Tia responde, está na funerária, preparando o corpo.
O CORPO? Como ela ousa falar dele, como o corpo?
Mais choro, desabamento, desliza para o chão, pois é lá que quer estar, no chão, sozinho.
" A que horas vou poder vê-lo?"
" Já-já meu bem, daqui a pouco iremos para o velório."
Espera. Horas que não passam. Momentos que parecem paralisados.

A hora chega. Entro no carro, a Tia junto. " Onde está minha mãe?"
Tia assustada, pois percebe que é a primeira vez que pergunta isso. " Com ele, ela está bem!"
Não era a intenção esquecer da mãe, nem esqueceu, mas que sabia que ela estava bem, afinal, falaram da morte do....lágrimas.
O carro pára. Olha pelo vidro fechado, à sua direita um velatório.
A dor aumenta, as coisas vão se tornando reais.
Caminha rumo a porta, sala 5, para ser mais preciso, é lá que a dor o espera. Cambaleando, se encostando em tudo que esteja perto, se arrastando, simplesmente vai ao encontro da dor.
A ponta do objeto de madeira já se torna visível, flores, choros. Até que vê. Ele, seu pai, dormindo, com toda serenidade que lhe era possível. A dor aumenta, os joelhos cedem, as vistas escurecem, a realidade pesa, como um passo humano sobre uma barata. Um grito. Um choro. A escuridão. A dor da separação.

O Solitário.

início


Sentado. Sozinho. Perdido em uma praça perto de sua casa, ele simplesmente não sabia mais o que fazer. Sua vida? Uma bagunça! A família? Uma loucura! Afinal, a irmã mais velha iria se casar e ele? só aprontava aos olhos de todos.
Queria conversar, queria desabafar, queria ser ouvido, logo, resolveu escrever.
Não que esperasse sinceramente que alguém fosse ler, mas sabia que ao menos, escrevendo poderia ter aquilo com o que sempre sonhou, um ombro amigo, mesmo que esse, não fosse tão real.
Não aguentava mais a situação. Queria sair. Queria fugir. Porém, percebeu que não era o certo ao se fazer, toda aquela confusão, era passageira, concerteza. Então resolveu se dedicar a arte da literatura, cada vez, ainda mais profundo.
Surge então a idéia:
"Por que não um blog?"

O Solitário.